14.2.09

Sono Gauche

No meu sonho,
ele tinha deixado.
mais que carta no correio.
Ele tinha deixado
uma aliança escondida
em galinha Maggi azul.

Ele me mostrava
a cara metade
do pingente que não ví.
De dedos ocupados,
eu brincava
enquanto ele sorria.

Naquele brilho
cobrava ele fidelidade
à palavras se quer ditas,
e revelava
cornucópia de amor
guardada meses sem fim.


Agora lá fora
sob sol escaldante
em inverno alemão,
nadávamos
piscina de hall algum
em um outro play.

E quando dei por mim,
ele era o anjo
mas entendia português.
As crianças
aprendiam alemão,
mas caíam em inglês.

Minha língua mãe
era porém a delas
com seus pais.
- Filósofos
que optaram então
ficar na Alemanha.


Éramos Brasil
e ele agora,
o menino menestrel
que com vida,
revigorava o contrato
e me sorria pois.

Eu dormia,
enquanto ele fitava,
sorria, acariciava.
Caí em realidade
ouvindo bons dias,
sendo amassada.

Sem promessas,
germanávamos
como antes de Morfeo.
E minhas roupas,
como noutro sonho,
nunca me saíram.

z. Ruhe em 31.01.2009

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