7.6.26

 



Todo ímpeto da fala desenfreada anestesiado pela vasta imensidão 

6.6.26



Sobra o que eu queria tanto
E talvez pela certeza do não 
Possível ou permitido ou não 
Certeza do querer acreditar
Na fluidez concreta que atravessa
A beleza da arte e da poesia 
Transforma satisfação em vida
Que valsa ao me entregar
No meu sonhar permitido
Por ninguém mais do que eu
E você que veria por alegria
Sucesso proporcional à vida
Que caberia no desdobrar da curva
Ou retorno ao que fosse calculado
Na fruição do certo racional
Esqueci ou estremeci por medo
Larguei possibilidades tão lindas
Que fechava por esquecimento
De ter aberto na crença de um dia
Que era eu mesma deixaria 
Não lembrar do caminho planejado 

9.5.26



Não sei cansou da vida pútrea

Ou se acabou-se em brigas 

Mas a assa dilacerada

Convidou-o pro garimpo

Da circulação energética 

E reintegração pura


Não voa mas sobe em salto

Salta uns dias e logo voltava

Mas agora a volta foi longa e

Mais ampla que suas asas

Ou nossas penas poderiam

Abrigar-te comida sem brigas

9.4.26

 


Quando você chega, o mundo não para
Mas uma satisfação paira em mim
A alegria do seu sorriso toma meu peito
E meus olhos brilham com seu jeito
Timido que troca as palavras e o olhar
Com toque que nossos olhos não veem
Nossos dedos cruzados mais próximos
Do que nossos carros em vias opostas


7.10.25

Finde setembro, os ipês amarelos já se esfizeram da abundância de flores e, acompanhados por poucas, abriram alas para a primavera que floresce a todo vapor elevando nossos pensamentos e erguendo nossas cabeças a olhar avante, onde encontramos escondidos atrás das muretas e das paisagens do dia a dia, ipês rosas e branco limão ou alvos acompanhados por outras que florescem e resedás logo vão, todos os frutos verão.




24.8.25

Cristalino para aguas de março 18


Após a tempestade que não ví, mas atolou nossos portões

Minh'alma iluminou os caminhos até a casa onde a lâmpada virou treva.

Ali, o branco do queijo ressaltava enquanto o amarelo do colorir se escondia

E depois de mornar uma água, ela tomou seu primeiro banho de caneco.

Água aquecida pelo saber, luzes iluminadas por velas e meu caminho aceso...

16.8.25

Não sei se te conto o tanto que verso em você, em nós, naqueles esparsos momentos; no tanto que quero mais, no tanto que tremo em desejo. É que contar talvez apague a fantasia da poesia que valsa ainda livre onde me perco e curto. É gostoso ver como tudo cresceu. Senti tao repentinamente meu meu campo querer florescer para a primavera vindoura, mas logo veio o vento da avassaladora verdade chacoalhando os frágeis ramos; e depois as cortadeiras como se acreditassem em contratos antes mesmo do perfume das flores poder se espalhar. Acho que foi o fim intenso do frio quem chamou para fazer a cama; portas fechadas, o frio fica na distância. A consciência chama junto à concorrência, pois o inverno é mesmo a melhor época para escolher quais ramos fortalecer ou podar.

No fundo, fico grata que os pensamentos ja se organizaram e chegam traduzidos. Quase lineares, sem ideias estrangeiras ou mistura de pronúncias e significados; sem grandes voltas em inglês ou versos alemães.

Melhor assim - decidi - páginas claras, abertas como eu gosto, a verdade escancarada e a poesia, que fuja se quiser. É livre que ela irradia! Se for para ir, que os últimos ventos de agosto a leve ou deixe leve como ja vai ficando essa brisa que foi furacão. E chega. Chega junto calmaria a me agitar...





30.11.18

Nessas noites enluaradas a luz me fascina
E a única coisa que não fica clara é o breu
Das imagens e cenas do devaneio do clarão

Película celular




23.1.18


Toda a vida dela do lado de fora.
Sem ter para onde levar seu corpo,
El'é inerte assim como suas roupas.
Hora vira parque, hora aninha pássaros!

Um beco aberto, pode ser abrigo, casa.
Tendo como vizinha a liberdade,
Finda seus galhos passados ali
Já sem folhas ou raiz, mas tenra.

Veste o que resta da base com terra,
Ninho mesmo para esconder as raízes
Que nunca foram profundas nada
E se foram, tênues e fracas, sucumbiram.

E agora parque, é teste de limite de sí:
Crianças testam elasticidade em pulos
Adultos depositam peso e encosto
E pássaros furam o vestígio da base.

26.8.17


Aqui temos um caminhão com capacidade para 5 metros cúbicos de areia. Tem gente que acha que ele carrega 6; e até que pode, mas assim ele arria e não vai longe. Eu, na verdade, queria que ele carregasse 18 metros, como nós dois juntos, do tamanho que nos vimos. Mas por enquanto sigo com o meio metro da minha caçamba que só faz potencializar o caminho.